sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Ariquemes

no garimpo
chove
todo dia

molhada
a pólvora
não sonha

eu cansei
de matar

minha fome
de raiva.

Nautas

Quase cegos
descalços
e nus

nós peixes
saltamos
pássaros

de aquário
: nossa
Nave

Mãe
parindo
distâncias

Poesia

Pesado
Vento
Sacudindo
Raízes

(Menos
Uma
Árvore)
Agora cai

: São
Tantas
Folhas
Contaminadas

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Num tempo sem relógios

Sim bebi de suas águas
Comi de suas terras
Resgatei alguns objetos

Sempre depois da chuva
Quando o trator feria
O miserável chão do pasto

E toda noite eu os ouvia
Quebrando as pedras

Mas era eu ali trabalhando
Milênios sob meus pés.

nascer
quando
o corpo
pede
Sonho

comer
quando
o corpo
pede
Pão

beber
quando
o corpo
pede
Água

morrer
quando
o corpo
pede
outro

Casca da casca

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Ainda

náufrago aprendo
Ser minha própria
ilha onde me bastam

tantas mensagens
toscas que engarrafei
e envio até hoje

dane-se saber ou não
um dia desses

"Com quantos caos
se faz uma canoa".

Passo a passo

quase três meses
planejando
nosso encontro

sonhando arrepios
beijos abraços
carinhos tantos

e só eu conjugava
o verbo viajar

até decorar -
todos os caminhos

Diário

Hoje ventou forte aqui
Em São Paulo
Jardim Itatiaia Grajaú

Nesse exato momento
Merda ainda chove
Horrores mundo afora

E com o tempo assim
Não saio de casa

Mas nem pra comprar
Uma cachaça

sábado, 21 de janeiro de 2017

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

No garimpo

Três dias sem dormir
Quase trinta sem água e comida
Sem ontem nem amanhã

Era só o escasso fogo
Azul-promessa de álcool farmacêutico
E raízes pintando de paraíso

(Toda a lama fétida feita mais
De mijo que de minério

Palmo a palmo buraco a dentro)
O disputado céu daquele inferno.

Tátil

Finíssima
Casca
Um abraço

Cáustico
Mas
Necessário

De longe
Do escuro

O azul
É redondo

Desenho

Tio
Como é
Um tigre?

: dois
Dentes
Afiados e

Os outros
Também

O resto
É paisagem

Prestidigitação

é o calor
que choca
os Ovos

o mesmo
que
Os cozinha

: modela
Pintinhos

ou ilude
outra Fome

Sampa

Tão
Quente
Abafado

Aqui
Onde
Escrevo

: Se
Lavo
Estendo

Toda
Minha
Roupa

Hoje
Seca
Na chuva

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Ternura

Amo quando
os olhos
brilham...

e mesmo
em silêncio
a gente

não sabe
ou consegue

mudar
de assunto.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Poesia

o silêncio
de uma boca
quando beija

o silêncio
de outra boca.

Presença

durmo tão bem
no colchão
que ficou

o cheirinho
de Mãe
conta histórias

e todo dia diz
sonhos

que não devo
sonhar.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Desamparo

tanto tempo
sem rabiscar
uma linha

parece até
que a Musa
mudou de país

e a poesia
ainda não sabe

o endereço
das palavras.

Outro nome

antes
que meu filho
chame de pai
a Televisão

vou
passear com Ele
seguro
em sua mão

próxima
folga é dia Santo
ou "parque
de diversão".

domingo, 11 de setembro de 2016

Perdoe

se um dia
pisei
essa gentinha

que só
sabe
contar dinheiro

eu não abaixo
a cabeça

quando conto
Estrelas.

Peregrino

encontra-se
caminhando
assim

deserto
em silêncio
oferenda

ao deus
sem rosto

um rio
sem margens

Onde há fumaça

ai, puta merda
poesia é fogo
papel é lenha

por isso quase
todo santo dia
a noite o meu

feijão (sem sal
nem açúcar)

engrossa o caldo
até queimar.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Uma luva

a mão que escreve
escreve não sabe
lembrar esquecer

a mão que escreve
só sabe escrever

sem teto escreve
escreve sem chão
sem água sem pão

a mão que escreve
não sabe morrer.

Escrevo

até que
um dia
olho o

espelho
e me
percebo

quatro
meses sem

: limpar
a casa.

Rustico

ontem não escrevi
uma palavra sequer
mas abracei demorado

o Leckster e a Léia
como se fossem os dois
um Poema perfeito

em forma conteúdo e são
Tudo que ainda grita

Verdades na imensidão
dos meus silêncios.

Campanha

órgãos
e tecidos
eu sou

doador de
Sonhos

Sinceramente

só a
Musa
sabe

acordar
a caneta
que...

ainda
sonha

inútil-
idades.

Em silêncio

e não
me permiti
chover
e assim foi
sem nenhuma
umidade
(nos olhos)

então naquele
domingo
ensolarado
sob o céu
(de maio)
eu era só

um punhado
de livros

na carroceria
da saveiro

quinta-feira, 14 de julho de 2016

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Hemograma

sempre
foi
só um furinho
na pele
e o Medo

: monstro
que
me empurrava
pálido
suando frio...

naquele
buraco
sem fundo.

Ainda não sei

como
sair
da poesia

essa
camisa
de força

é do
tamanho
do mundo.

sábado, 11 de junho de 2016

Leitura

"Equilibrista"
não é só
uma multidão

de Poemas
pra conversar
sobre tudo

e outro tanto
é a Beleza

acordando
a minha voz...

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Equilibrista

o papel é mágico Lou
tem cheiro
presença magnetismo

você lembra
são quase quinze anos
de saudade espera

por isso a pressa
quem sabe hoje amanhã

agora o carteiro
devolve a minha Alma.

Inefável

o que sei
do céu
é escuro

moinho de
estrelas.

Livros

em parceria
poemas
(ou calor

de abraços)
pra sempre
inadiáveis

: a distância
é página

que viramos
do avesso.

Inverno

meu único
uniforme
de trabalho

( quase
branco )

secando
atras
da geladeira

que
não tenho

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Endereço

a noite
sem pressa
é quando
o sereno

(molha
o {pro} fundo
dos
oceanos)

sonha -
destilado
ou
fermentado.

Rotina

é trabalho
duro
e sujo

mas
necessário

o dia todo
sem sol
acende

a noite
sem pressa.

Crescente

- Papai, papai
a lua papai.
: Que tem a lua, neném?
- Tá quebrada...
: É mesmo?
- É, mas se você me der
as ferramentas...
: Que ferramentas?
- As de brinquedo, papai
eu conserto ela.

Inevitável

eita vontade
de responder este
com
( revoadas
e revoadas

colorindo os céus
com as cores
que os olhos
-abertos-
da Bela sonham )

sólidas
tempestades
de um pássaro só.

========================================

Depois de ler um poema da Loba.

(C)idades

onde a gente
é terreno
baldio

com certeza
jogaram
entulho.

Festa em família

o convidado
- presente
o penetra
- presente

a irmã
- presente
o irmão
- presente

a mamãe
- presente
o papai
- passado.

Perecível

se não
vendo
meu
peixe
agora

agora
que
o olho
ainda
sabe
brilhar

daqui
a pouco
estrago.

Presente

Lá em casa
(nossa
como faz tempo
isso)
o Neném
dormia comigo
chutando
minhas costelas
de vez
em quando
me abraçava
e não era
a fome
e não era
a sede
o combustível
daquele impulso
era Ele...
era Ele...

Imenso

pesado
demais
o sono
dessas
árvores
agora
que estão
papel

é todo
lenha
este céu
tão claro
onde
a mão
sonha
poemas

acende
estrelas.

Consistência

mais
água
não

: fogo
no
feijão

quarta-feira, 23 de março de 2016

Doméstico

minha
mãe
voltou
pro
interior

eu
mesmo
limpo
a casa

: varri
o lixo
pra
debaixo
do
poema.

Pra Lourença Lou

Poesia
tem
chuva e sol
momentos
de claro escuro
frio e calor
muitas portas
e janelas
(nenhuma
entrada
ou saída)
corre corre
de poetas
e não poetas
tentando
entrar ou
sair.

Quarto setor

no intervalo
entre
um poeminha
e outro

eu existo
um instante

: é quando
frito
meu bife
cozinho
meu arroz
esquento
o feijão
(de caixinha)
tomo
uns cafezinhos
ou
muita cachaça

e lavo
em cloro puro
minhas roupas
sempre
imundas
de sangue
e realidade.

Testamento

e pra
miséria
da poesia
(merda
também
é minha
sua
fome)
- deixo
o papel
que
o Diabo
amassou.

Ou nenhuma distância

uma Loba
uma lua cheia
e...
um poema
sempre

: a menor
distância entre
dois
pontos

no Mistério.

quarta-feira, 9 de março de 2016

Fantasma

tropeço
em tudo
o tempo
todo
derrubo
copos
pratos
panelas
bato
a porta
com força
mas sem
intenção
faço
muito
barulho
e acordo
a Casa
sempre
sonhando
futuros
antigos
moradores.

Bom Futuro

tive sorte
muita sorte
no garimpo
eu bamburrei
( fui requeiro
e consegui
voltar )

nunca estava
onde
o barranco
caia

em Ariquemes
só perdi
alguns amigos
e um dente

que dói
até agora.

Crochê

a linha
nunca
acaba

vovó
aranha
continua

aqui
tecendo

nossa
presença.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Bem assim


na poesia
encontro
Tempo

pra
alimentar
meus
demônios,

Material

os poemas
Lou
continuam
pássaros
feitos de encanto

não sabem
o que é distância
em pleno voo
nidificam
no infinito

do nosso
primeiro passo.

Plural

isso que só
nos devora

não é Tempo
ainda

Tempo
é algo mágico
Lou

: uma Pedra
de afiar
eternidades.

Auto hipnose

agora
abra
os olhos
como
se
fossem
asas

e sonhe
um
Sono
imenso
- sem
pressa
- sem
sustos

: sem
sonhos.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Colheita

já sabia Lou sua flor de fogo
purificando o instante onde
deito sob pétalas insones

minhas colmeias coração
pulsando a densidade rústica
desse Mel inalcançável

: com ele adoço articulações
meus rios correm macios

e as tempestades que já bebi
não causam nenhum estrago.

Dorme

todo tempo
em vigília
deste lado

da distância
aprendo
a costurar

um poema
confortável

pra te cobrir
de Sonhos.

***

Depois de ler um poema da Euza Noronha

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Manufatura

todo dia
a noite inteira
cabe
no meu avesso

quente fria
imensa
de tão pequena
e minha

sempre
confortável
como uma roupa
desfeita

sob medida.

Perfil

meu
sono
não
dorme
nunca

está
sempre
com
cara

de
Sonho.

Hades

de Cérbero
o duplo
uma cabeça

e três
cachorros.

Lembrete

uma pá
de areia
ou cal (
o Amor
esse
horizonte
em fuga
me
olhando
pelas
costas
) direto
nos olhos.

Umas rimas miseráveis

escrever
ainda é uma religião

muito papel
e caneta na mão

fico esperando
a igreja abrir

e quando ela fecha
não consigo sair.

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Á deriva

altas horas
do querer
cactos são bichos
de pelúcia

quero delírios
- minhas
raízes aéreas
feito
asas desfolhadas
até de galhos
- só caule

a mergulhar
profundo
no mistério
do mistério
quente e úmido
deste Céu

onde busco
de arrepio
em arrepio
: a Semente
das sementes.

***

Depois de ler um poema homônimo da poeta Euza Noronha

Religare

escrever
não é
o melhor
caminho

nem o
mais curto

talvez
o único
onde posso
pisar
espinhos
e céus

com
fé descalça
sem dó.

Lou

as suas
as minhas
Palavras
encontraram-se
um dia
de braços
abertos

agora a Poesia
é outra
ferramenta
de abrir
clareiras
na realidade

: essa floresta
crescendo
(em prosa)
das nossas raízes.

Bagagem

quarenta
e quatro anos
nas costas
me trouxeram
até aqui

a vida continua
nos trilhos
maravilhosa
mente
linda e inútil

como
todas as manhãs
que fizeram
esta tarde.

Taxidermia

muito fácil
empalhar
um rio morto
- mas

pra que ele
continue
correndo
como um bicho
- antes

tem que
ser
enterrado vivo.

Paraíso

só tenho um prato
e livros um garfo
uma faca e livros

um copo um colchão
de solteiro e livros
em toda parte...

habita-me uma casa
assim sem nenhum

espaço pra enfiar
sua cara de susto.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Ainda somos este Tempo

nossos poemas
pra sempre
serão Presente

ri(s)co futuro
adivinhado
a quatro mãos

densa paisagem
reconstruída
que tatuamos

na vasta pele
memória
do deus Papel.

.

Pra Euza Noronha

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Dos objetos

Na solidão
ali deitado
deixado

: o colchão
dormindo
no chão

Desafio

eu caminho
sem sair
do lugar

quero ver
o lugar
continuar
no caminho

: sem
sair de mim.

Troca

O que a palavra
não faz
para ser tempo

o tempo desfaz
pra ser palavra

Obs. As 3 primeiras linhas são da poeta Joelma Bittencourt

.

Realidade

tivesse ainda
um par de asas
eu mergulharia

de corpo e alma
nessa tempestade
de entulhos

mas só tenho
um par de olhos

abertos demais
para o momento.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Sem fé

hoje
não quero
mover
minha sombra

: alguns dias
em mim
é noite

e essa palha
uma
montanha.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Lixo

segue entre
outras coisas
mais

sem nenhuma
importância

um poeminha
de Amor

rasgado
em mil cacos
de vidro.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

A tempestade

roupas secas
no varal
corro
pra não molhar

e o neném
atras de mim

é todo
brilho nos olhos
cobrando
a minha atenção

: olha
olha
olha papai
que lindo
o trovão aceso.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Saco cheio

toda essa merda
é a mamadeira
do sistema

- transbordando
números

Soul

setenta
por cento
Água

os outros
trinta
também

é Alma.

vale tudo

com
quantos
Peixes
vivos
se faz
um anzol
de aço

agora
que tudo
é lama
e não
temos
Rios

pra
fazer
uma
Lágrima.

Alta ajuda

eu
me permito
que todo
dia ruim
anoiteça

que
essa treva
amanheça
sempre

bem longe
de mim.

Teimosia

a vara
é curta
a oração
é curta
a poesia
é curta
a vida
é curta

- ainda
assim
não deixo
de cutucar

: deus
o diabo
o leitor
e o tempo.

Sem problema

quando
meu
abraço

é uma
pergunta

aceito
outro
abraço

como
resposta.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

terça-feira, 15 de setembro de 2015

à Cérbero

o passado
o presente
o futuro

três ossos
do mesmo
tamanho.

Preço

duas moedas
uma dose
de cachaça

meu colírio
deixa Caronte
a ver navios.

Da torneira

cada dia
mais
antigo
que
o futuro

velho
moinho
: ainda
sonho
tempestades

em
corpo d'água.

Semanal

meus dias
de folga
são invertebrados

: todos os outros
eu desosso.

Bagagem

já não
aguento
mais

as pernas
os pés
doendo

próxima
viagem

só levo
os olhos.

Sem endereço

sou
poeta
não


escrevo
cartas

fora
do
baralho.

Retribuição

vastos canaviais
em chamas alambiques
em pleno vapor

e onde há fumaça
a rima me acende
mais que uma boa ideia

se quiser Prometeu
a gente pode
envenenar o seu fígado.

Prematuro

toda
página
é um céu
de leite

amamenta
meu poema

: sol
doendo
de tão
apagado.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

aideus

tirar você
de mim
foi como
tirar a roupa

minha pele
saindo junto

tão grudada
que estava
na carne
nos ossos

e
até na alma
que
nunca tive

mas precisei
inventar.

Escultura

talhado
na vertigem
mostra
os dentes

o abismo
sob
meus pés
sorrindo

: sempre
por
último.

Evanescente

no espelho
só vejo
o Tempo

me olhando
de dentro
de Tudo.

Rotina

correr
correr
ou

meus
pés
não
alcançam

os
passos.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Euza Noronha

Loba
é uma fase
da Musa

isso é tudo
que sei
do sol.

Afasia

as vezes calo
este silêncio
no grito.

Piegas

Sei do Amor
apenas a espera
(áspera)

o espaço
sempre habitado
por alguém

- alguém
que chegou antes
- alguém
que chegou depois

: alguém
que um dia chegou
pra ficar
e não ficou.

Resumo

Cair de tudo
assim do nada
cair na real
irremediável -
mente cair...
de cima das pernas

é tão vasto
é tão denso
é tão dentro
que até hoje
carrego no peito
o coração do abismo

: aceso ainda.

Paisagem

só escrevo
o peso
da alma

embebida
em bebida.

Mago

fazia amanhecer
ou anoitecer
num abrir e fechar
de olhos

: as pálpebras
eram seus únicos
poderes.

Reforma

longe demais
de tudo
de quase todos
estou

me
reconstruindo
em minha
nova moradia

cada vez
mais densa
minha
nobre realidade

daqui a pouco
serei
(este quarto)
inabitável.

terça-feira, 23 de junho de 2015

Pronto

mentiu
traiu
feriu
humilhou
...

e
agora
que
você existe

eu

posso
soltar
a sua mão.

Abstinência

o céu a terra
o universo inteiro
líquido
nos bares todos
sempre tão perto
de casa

e eu aqui
(escrevo reescrevo
rasgo incansável
mente...)
cada vez mais
árido e quebradiço

: minha sede
morrendo de fome.

Merdamorfose

daqui
a pouco
eu sou
passarinho

de tanto
que tenho
pés

calejados

de tatear
abismos.

Geografia

os olhos
são
um lugar
em mim

onde
só eu
visito
de quando
em quando

preciso
chover.

Entendimento

uma só
pele
um só desabrigo

e não seriam
tantas
fraturas expostas
no
espelho d'água

onde todos
bebemos

onde todos
mijamos.

Família

eu
não aguentava
mais
viver sozinho

por isso
abandonei
a casa
a comida
a roupa lavada

e fui
morar comigo.

Oferta

nos
açougues
da
vida


fatias
da
alma

eu
penduro
nos
ganchos

: minha
Carne
ainda
sonha.

terça-feira, 26 de maio de 2015

Recordação

no
princípio
era
o silêncio
em
silêncio

não
o trovão
quebrando
os
inquebráveis
ossos

das
primeiras
chuvas.

Maturação

o dia dura
o dia todo
e anoitece

a noite dura
a noite toda
e amanhece

o poema dura
o poema todo
e nada acontece.

Oráculo

eu vi um ovo
caindo
do ninho

e era o céu
caindo
do céu

e era a vida
caindo
da vida

quebrou-se
como
um espelho.

Rotina

não tenho pressa
por isso voo
decorar
todas as línguas
até esquecer
o meu nome
depois escrevo
outra fogueira
de livros
só pra queimar
os meus olhos
vazados de saber
que a luz
no fim de tudo
sou eu sou eu
um deus
que bebeu demais
um diabo faminto.

Ratos

já é Maio
sinto na pele
e nos ossos
vejo de dentro
o rombo
tudo estragado

fizeram ninho
e agora
me reproduzem
puta merda
os aniversários

roendo
minha eternidade.

de solteiro

minha
cama
é um
cavalo

selvagem
eu
sempre
caio

de
sono
do
sonho.

Capetalismo

três dias
de Alma
eu paguei

ao diabo
o botijão
e o gás

só o fogo
deus
Prometeu

Minimo

quase
não
gasto
gás

moro


tenho
aqui
um
fogão

meia
boca.

Diário

depois
de uma semana
chovendo
hoje tem sol lá fora

escrever sempre
é uma vontade
de beber
toda essa luz
que recebo líquida
por baixo da porta

escrever tudo
e mais um pouco
até transbordar
a solidão do mundo
pela janela
que não há

escrever
escrever
até esquecer
a caminho de casa
o caminho de casa
que estou em casa.

Abissal

meus olhos
sonhavam dilúvios
eu cavei
com as mãos
um poço

no fundo escuro
do poço

quase
morri afogado
eu cavei
com os olhos
um céu

no fundo falso
do mundo

até que
não pude mais
eu cavei
um poema
e parei

minhas unhas
sonhavam asas.

Fresta

se você pisar macio no meu coração
já no primeiro passo
saberá desnecessário
querer entrar
(ou sair de) onde sempre esteve

que tudo em mim é lado de dentro
que não ha portas paredes muros enfim
nenhum obstáculo
- só o tempo

só o tempo que não passa
e daqui a pouco voa e me leva...

se você pisar macio no meu coração
eu abro uma festa
pra você ficar.

Endereço (n)ovo

"paga um mês
de depósito
pode vê moço
tá mobiliado
é um quarto
com banheiro
e cozinha
não tem goteiras
nem barulho
no quintal"

sem esforço
constatei
algo menos
no imóvel
não tem espaço
nem pra mim
(e os livros?)
sem janelas
umidade mofo e...
nenhuma
ventilação

- mas
puta que pariu
eu precisava
respirar.

Desconfiança

sempre
que
brigavam

alguém
dormia
mais cedo

com
um olho
aberto

e o outro
inchado.

Geo grifos

desde
antiga
mente
em Nazca

meu sonho
ainda
é alto
demais.

Impulso

um
passo
para
trás

dois
pássaros
para
frente.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Abandono

sempre
em dias
e noites
de chuva
frio
ou garoa

eu
me sinto
assim
tão sol

sem
a lua
compania.

Pedido

você sabe
então diz
pro neném

que eu
reformei
os móveis
da casa

mas a vida
continuou
antiga
ou moderna
demais.

Necessário

todo dia
abro a porta
e saio
dos olhinhos
do meu filho

todo dia
vou embora
de casa
pra nunca mais
voltar

tanto tempo
nessa rotina
e até agora
ainda
não consegui

: me perdoar

Benção

ilumine
os dias
da minha vida
(as noites
principalmente)

desvende
as pedras
que piso
ao longo da estrada
(as que me atingem
também)

senhor
meu pai
minha mãe
meu filho
meu amor
eu só quero
caminhar
sobre as mágoas

sexta-feira, 20 de março de 2015

Naquele tempo

o abraço
era abraço mesmo
o beijo
era beijo mesmo
o sexo
era sexo mesmo

o amor
pra ser Amor
tinha que ser
desde o início

uma longa
despedida.

Inspiração

qu
ando
res
piro

inalo
o
uni
verso.

Animal

eu sou
minha
eu sou
meu

palco
e platéia
eu sou
vasto

eu me
basto
eu sou
pasto.

Desabafo

santa puta virgem
que pariu
tantos deuses inúteis
eu
já não aguento mais
o peso morto
desse sobrenome
: guanais

hoje cedo
meu neném
foi expulso da creche

por incompetência
dos pais.

terça-feira, 3 de março de 2015

Piegas

sem espaço
pra acelerar
acelerar e fugir
ou rugir
e atacar
se defender
ou não

o coração
apertado
apertado
mas imenso
ainda

para
o de sempre
fechado
como um olho
cego
surdo
e mudo.

Musa

se a Loba
quiser se esconder
espairecer
desaparecer um instante

(agora
que eu sei farejar)

vai ter que cavar
outro nome mais fundo
mais denso
mais tudo

que a sua Poesia

desde sempre
enraizada
(onde sou asas
voo
viagem
e paisagem)

aqui dentro de mim.

Poesia

visto
esse
arrepio
a
paisagem

meu
uni
verso
eu
encontro

re
virando
o cio
da
musa.

Fadiga

fico
sonhando
acordado

que
estou
dormindo.

Encontro

algo
em nós
não
respira

está
sem
pulsação

foice
a solidão.

Cegueira

recebo
a noite
nossa
de cada
dia

desde
sempre
assim
de braços
abertos

e os
olhos
pregados
na
luz.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Crônica

o lixo sempre espalhado
no quintal
aos poucos tomou conta
da cozinha
depois da sala, dos quartos
da biblioteca, dos banheiros
e da nossa vida

assim
como se fosse e é
aquele membro da família
degradado
(desgraçado)
que só incomoda e atormenta
que todo mundo odeia

mas ninguém tem coragem
de por pra fora de casa.

Clima

já não sonhamos junto
nossa realidade
a família
a casa
o trabalho e tudo

nem dormimos mais
abraçados

desde outubro
janeiro
está tão quente...

tão quente
que a gente esfriou.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Agora não sei voltar

Fez-se longa e áspera
a espera
noites dias semanas
a fio

: eu me perdi
andando em círculos
infinitas vezes
até o portão.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Capetalismo

trabalho
duro
trabalho
demais
em troca
de nada
ou menos
ainda

- furei
a barriga
que
empurro
o sonho
e não vi
a merda
nenhuma
luz
no fim
do mundo

: meus
olhos
estavam
suados.

Empresa

gosto
das folgas
das férias
e da comida
(a Noêmia
sempre
capricha)

não jogo
baralho
nem faço
apostas
odeio
a televisão

todo dia
é assim
bato o ponto
e desço
bato ponto
e desço
e desço...
até o fundo
do poço

: jamais
ao nível
dos imbecis.

Utilidade pública

Especiarias
melhoram
os sabores
da vida

- para
o bem
da verdade
esclareço

: sonho
sem
tempero
é realidade.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

E ponto

Semeador de arrepios
cultivo teu céu
arado revirando
o azul

de leve
de dentro mordo
o sol a lua as estrelas
e não paro...

quando a língua
aprende
a dança da chuva
incendeia
o coração das nuvens.

Coloquial

Morde não
neném
pode pôr a mão

bicho estranho
de se ver

poesia
é assim mesmo
as vezes
sem pé
nem cabeças

tem
muitos olhos

e todos
te olham
direto nos olhos.

Embriagues

Os dias
são remos
as noites
também

vida
oceano -
quantos
afogados
ainda

pra
construir
sem deus

um
barquinho
de papel

Vida

Paisagens
futuras
me desabrigam
inadiáveis
nem é por isso
que reescrevo
toda essa luz
infinitas vezes

e insisto
até decorar
de vez
os contornos
da sua velocidade

até descolar
dos olhos
o movimento
do horizonte
da carne
a pele

os ossos
desse arrepio.

Manhãs

um
prato

quase
vazio

tão
arredio
este
sol
que

acendo
cada
vez
mais
frio.

terça-feira, 24 de junho de 2014

Reminiscência

Meu avô
cuidava da horta
em Bastos na chácara
do espanhol

passava o dia
preparando
os canteiros
só a tarde semeava
depois
molhava a terra

eu era
quase um bebê
e ainda não esqueci
era mágico
aquele regador

muito velho
e enferrujado
mas tinha
um barulhinho dentro
que acordava
as sementes.

Garras

Onde
me queres
caule
cresço

e quando
tudo
é voo
e mergulho
mais
e mais
te quero
selvagem

flor
felina
afiando
em mim

seu perfume.

Fadiga

é desde
sempre
assim
pra nós
que
morremos
de
vagar
lenta
mente
o ar
solidifica-se
ir
respirável
como
um não.

Poema

como sabe
ser inútil
inútil
por dentro
inútil
por fora

o pedaço
de papel

embebido
em algo
que pode
saciar
uma sede
enquanto

incendeia
o instante.

Merda

nas periferias
do sonho
tudo
é realidade.

A barata

Mais que invencível
quase
quase poeta
antes
de ser herói

muito bem armado
desço
deixo inconcluso
o poema

com a ferramenta
certa na mão
vou lá e
chinelo a eternidade

com duros
precisos
e necessários
golpes
de tempo e espaço.

domingo, 1 de junho de 2014

Diário

hoje
o neném
acordou
cedo

: os
bichos
de
madeira.

Clímax

Muito
é tão pouco
tanto
e tudo

não basta
hoje
quero ser
silêncio
ou poema
e gritar
na
sua boca.

Holografia

sempre
que encosto
o ouvido
no instante

sinto o coração
de tudo
rangendo
rangendo...

em meu peito
vazio
( mas
completo )

como
se eu também
existisse.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Lançamento


O Centro de Arte e Promoção Social – CAPS convida para o lançamento do livro DE SONHO E DE LAMA de Wilson Guanais, em 10/05/2014 DAS 19H00 ÀS 22H00, Na RODA DE POESIA , na CASA DE CULTURA PALHAÇO CAREQUINHA, Rua Professor Oscar Barreto Filho, 252 – Grajaú – são Paulo – SP.

quinta-feira, 27 de março de 2014

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Aridez

tudo é sol
tudo é calor
nenhuma nuvem
no céu

tão quente
aqui
onde caminho
de casa
pro trabalho

suado na ida
surrado na volta
e só

minha
sombra
me acompanha

densa
como
um incêndio.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Poética

Ainda não escrevi
sequer
um passarinho

eu apenas desabo
com eles
quando os derrubo
do ninho

e com eles
amanheço sempre
um pouco
mais

distante do céu.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Visita

Vovó Jandira
mora longe
muito longe

do outro lado
de nós

e
esse arrepio
na pele
ainda é
uma ponte

que eu não sei
atravessar.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Banhistas

Não da pé
e respirar
é sem fundo
sem margens
pra erros

depois
é muito fácil
perceber
quem ainda
não sabe nadar

quem tá quase
morrendo
afogado
não consegue
pedir ajuda

fica
se debatendo
na água
como um peixe
fora dela

Romã

A casca
da casca
o lado
de fora

o sol
a chuva
o vento
o chão

aves
bichos
insetos
e nós

: o
monstro
dos
monstros

no
sonho
das
sementes.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Fotografia

Uma pequena
faixa de terra
uma árvore
não muito verde
e nada mais

contra
o azul editado
de um céu
quase roxo

talvez seria
em outra ordem
e ninguém percebeu
o azul absurdo
do céu

contra a árvore
contra a terra
contra tudo
contra todos.

Ao filhote

Sábado
é dia
(de parque)

de brincar
de pular
de cantar
de dançar
e suar...

: lavar
a alma
na piscina
de bolinhas.

Braçal

Trabalho
como
um bicho
e como
um bicho
sobrevivo

eu que
não tenho
alma
tempo
nem paciência

todo dia
afio facas
e como
um bicho
escrevo.

Garatuja

Constantes
retoques
em meu
auto retrato
escrito

todo dia
rabisco
algumas
palavras
e aqui
as deixo

como marcas
de expressão

onde
me sei
absurdo
e inexpressivo.

Ruína

A casa
está doente
vai de mal
a pior

um dia
desses
(por causa
do mofo)
amputamos
nosso
quarto

virou
um cômodo
fantasma

: fede muito
e ainda
dói
no orçamento

quando
vence
o aluguel.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Biografia

Sou tosco
gosto de ser assim
pau pra toda obra
no vernáculo
dos acadêmicos.
Só quero
ser lembrado
nos churrascos
de lage,
depois do serviço
pronto
algumas doses
pra cada um
a carne sempre
mal passada.
sinceras palavras
de agradecimento
inútil
poetizar a realidade
tudo aqui
é feito de sonho
muito tempo
alguns Amigos
e concreto.

Epitáfio

Dois sóis
talvez luas
pérolas
ou cometas

dois barcos
a vela
: seus olhos
poeta

para o
de sempre
fechados
por dentro

pelo vento.

sábado, 11 de janeiro de 2014

Contato

De tanto brincar
com livros
o neném
já aprendeu

Eles
não são flores

sim
Eles são flores
aves
borboletas...

tudo
que a gente quiser

só não pode
arrancar
as asas
as pétalas
o significado.

Pe(r)dido

Mãe
me leve
no ventre

Pai
me leve
no vento

sou
mais leve

que
um poema.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Compensação

quase sem alma
de tanta carne
sob as unhas
e no cheiro
apesar do banho
sempre demorado

deserto de sono
me abismo
no sofá

há horas
não te abraço
nem te beijo
não te acendo
nem te arrepio

só te durmo
só te sonho.

Resumo

um olho
me olha
me enxergo

uma voz
me diz
me escuto

uma dor
me procura
me oculto

um amor
me ama
me entrego

uma pele
me abriga
me aqueço

um texto
me escreve
me esqueço.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Incólume

a cada dia
mais poeira
a cada noite
mais orvalho

eu que sou
a ponte
o caminho
o labirinto

me adentro
me percorro
me atravesso

a cada passo
me agiganto
até desaparecer

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Limitação

tanto entulho
no quintal
minha alegria
está triste

não pode mais
brincar
correr lá fora

sobre
todas as pernas.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Construção

A casa inteira
é um abraço acolhedor
cada filho habita
o melhor espaço no Amor

o neném já corre
mais rápido que a Ana e eu
correndo junto...
crescendo junto

mesmo sem dizer
acho lindo o inevitável
: as brigas
o barulho
a bagunça

tantos brinquedos espalhados
em nós.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Herança

meu pai
me ensinou
remar

ainda
hoje aprendo
os rios

além
das margens
das margens

: o corpo
é líquido
filho

como
as pedras
e os peixes.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Registro

enquanto
ensino
meu filho falar

a poesia
exausta
descansa muda

repetindo
tudo

que a gente
cala.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Em noites de...



Em noites de sol
Wilson Guanais
Poemas 2013
Lançamento na primeira quinzena de Março
(local e data ainda não confirmados, estamos planejando algo aqui no Grajaú - Casa de Cultura Palhaço Carequinha, com o apoio do CAPS Grajaú)

Peça o seu no link abaixo:
Editora Penalux

Contato:
wilson_guanais@hotmail.com

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Sequência

Depois
da queda
o susto
então vinham
a dor
o medo
e o choro
eu
experimentava
deus
nos beijos
da
minha mãe.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Aprendizado

o teto
do
sonho

feriu
meus
joelhos

: não
sabiam

onde
doer.

Arquipélago

O osso da paleta
parece um remo
com ele consigo escapar
de uma ilha
onde sou naufrago...

- devaneio
enquanto desosso.

Sob o peso
da luva de aço a mão
quase congela e dói
(não de frio mas) de desgosto
de saber

que estou mesmo remando
(contra a maré)

que depois de uma ilha
tem sempre outra ilha
e outra e outra e outra
e outras
e a mesma.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Composição

Quero suas risadas
(mais barulhos
que silêncios)

na música
dos meus brinquedos.

no turno

rabisco
o sol
que sei

o único
possível
sol que

consigo
acender
viajando

a caneta
sobre
o papel.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

domingo, 6 de janeiro de 2013

Em noites de sol


Meu novo livro de poemas "Em noites de sol"
Editora Penalux.
Em breve lançamento.

Clik na imagem para ampliar.

Paisagem

aqui
onde escrevo
é um
buraco

não vejo
o céu
nem a linha
mas sei

posso sentir

a alma
de uma pipa
quase
caindo
da lage.

Cântico

molhe
a terra

deixe
a lama
sonhar

então
exista.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Recomeço

A primeira
semente
do dia
veste ainda
nossa temperatura

sob o peso
terrível
das pálpebras
todo amanhecer
é imenso

dos meus olhos
brotam
as mãos
que modelaram
meus pais.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Instante

A Ana dormiu
amamentando
o Neném
mama dormindo

fico
um tempão
olhando
os dois

a Léia
está no chuveiro
o Lúcio
no video game

de lá
não percebem
que estamos
sonhando.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Lar

Amor
tá um frio
lá fora

Ela:
- aqui dentro
também

Eu:
- mas tem sol
lá fora

Juntos:
- aqui dentro
também.